FES | Federación Española de Sociología

O Arco-íris no Rio de Janeiro: Uma Análise do Paradoxo da Cidadania Gay Sob as Águas de Ipanema

GT 12 Sociología del Género

Autor/a
Fabio Pessanha Bila (Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC e Universidade Estadual do Norte Fluminense)
Coautor/es
Tarcisio Dunga Pinheiro (Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC)

Nosso trabalho pretende demonstrar que os homossexuais freqüentadores do trecho da Praia de Ipanema em frente às ruas Farme de Amoedo e Teixeira de Mello, na cidade do Rio de Janeiro, buscam afirmar sua cidadania. Nesse local é freqüente o hasteamento da bandeira do arco-íris símbolo do movimento homossexual no Brasil e no mundo. Nele pode-se observar também comportamentos e atitudes denunciadoras da condição homossexual desses freqüentadores. Por isso, buscamos pensar tal espaço como lócus de afirmação da identidade e da luta política homossexual, bem como identificar alguns valores (de gênero, sexo e cidadania), compartilhados pelos freqüentadores do referido espaço da praia de Ipanema. Para isso, realizamos entrevistas e pesquisa de campo no local. Do ponto de vista teórico nos estribaremos nos textos de Daniel Welzer-Lang, Pierre Bourdieu e Elisabeth Badinter que consideram a heterossexualidade como uma construção cultural imposta aos indivíduos de ambos os sexos. Dessa forma, a sociedade androcêntrica impõe sanções àqueles ou àquelas que transgridem a ‘norma’ que determina a heterossexualidade e a dominação masculina. A homofobia é definida por Welzer-Lang como a discriminação contra as pessoas que mostram, ou a quem se atribui algumas qualidades (ou defeitos) acopladas ao outro gênero. Neste sentido, a homofobia engessa as fronteiras do gênero. Concluímos,  que o espaço da praia de Ipanema entre as ruas Farme de Amoedo e Teixeira de Mello, proporciona aos seus freqüentadores a liberdade para exercerem livremente sua orientação sexual, embora esteja limitada ao referido trecho da praia e não em outros lugares da cidade do Rio de Janeiro. Identificamos nos discursos dos entrevistados uma reivindicação da cidadania para além do espaço da praia de Ipanema. Entretanto, demonstramos que a luta pela cidadania está restrita aos homossexuais de classe média, brancos e que cultuam/reproduzem o modelo da masculinidade tradicional. Sendo rejeitados os homossexuais afeminados, pobres, negros e travestis. 

 

Palabras clave: Cidadania, Homossexualidade, Política, Homofobia, Direitos