FES | Federación Española de Sociología

Fábricas de Música: A organização e funcionamento das editoras de música em Portugal

GT 18 Sociología de la Cultura y de las Artes

Autor/a
Paula Abreu
Coautor/es
Paula Guerra (Universidade do Porto)
João Moreira da Silva Campos Matos (Faculdade de Letras da Universidade do Porto)

Nesta comunicação, iremos dar conta de um trabalho de investigação desenvolvido nos últimos anos e que tem o seu foco temático a dinâmica e consolidação do rock alternativo em Portugal. O objectivo norteador desta pesquisa prende-se com a análise e compreensão do universo das editoras indie e o seu impacto na definição e estruturação do subcampo do rock alternativo em Portugal na última década (Guerra, 2010) e correlativas cenas musicais daí derivadas. Subjazem a esta intenção dois intuitos: o primeiro centra-se na discussão contemporânea das novas modalidades e desafios de funcionamento da indústria musical marcada pela capilaridade relacional e institucional e pela acelerada desmaterialização da música; o segundo, pela assunção da importância da constituição de ambiências locais potenciadoras de novas dinâmicas de produção e fruição capazes de sustentar eixos de criatividade e de inovação cultural com impacto significativo na requalificação das culturas musicais juvenis. As editoras indie serão situadas, assim, num espaço relacional, analisando o seu funcionamento tendo em conta as interações que se estabelecem entre os agentes que nelas se ligam, assim como, a utilização e a distribuição dos recursos disponíveis necessários à produção cultural-musical. Esta abordagem permitirá perceber de que modo se processou a entrada em rede dos agentes neste subcampo, a formação da rede e as condições específicas que proporcionaram a sua consolidação. Este trabalho assenta ainda nas potencialidades de desenvolvimento e de comparação face a abordagem recentes de caráter nacional (Guerra, 2010) e internacional (Crossley, 2009), num esforço de conciliação das perspetivas teóricas dos art worlds de Becker (1982), dos campos de produção cultural de Bourdieu (1994) e dos conceitos de cena de Straw (1999) e de Bennett (2004).

 

Palabras clave: rock alternativo, subcampo musical, cenas musicais, redes